terça-feira, 24 de agosto de 2010

ABSOLUTA

Calhou que para mim não veio coisa fácil. Desde sempre foi assim na minha vida. Uma sensação de estar só, um sentimento de não ser, frente á frente com um amontoado de gente ao meu redor. Até entender que eu estava mesmo era em minha boa companhia, a melhor eu confesso. Mas ela se ausenta, vez por outra, anda solta por aí, olha ao redor, busca o que ainda não sabe explicar. E assim se seguiu a vida: a me mostrar que eu não iria pela boa e velha estrada. Eu pegaria os atalhos. Às vezes me pego querendo ser como, querendo ser que nem. Mas quando chego perto, descubro um todo mundo tão igual. No desejo de ser e não ser, de ir e não ir, na vontade de ser livre, muitas vezes me perco, tropeço, caio, quando vejo estou de pé. No saber o que é ser livre. Tem hora que eu penso ter medo do que não sei. Depois eu me lembro: o que me dá medo mesmo é ter certeza. Que a minha sede é de vida e eu nasci agora há pouco.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Círculos

Definitivamente não sou um cavalo encilhado, então não esperem que eu vá andar em círculos agora.
Se tem uma coisa que eu detesto, é me enganar com as pessoas. Perder meu tempo, me faz ter gastrite. Já perdi muitas vezes, hoje não perco mais. Perco meu sono e tempo apenas com quem/o que me dá retorno.
E não é que agora eu vá ficar sozinha, mas digamos que mais uma vez foi aberta a temporada de limpeza geral, e a boa nova é SELEÇÃO!
É o momento certo para administrar quem terá o prazer e principalmente potencial para receber os meus cuidados.
E não é marketing, não. Mas se existe algo em que me tornei phd, foi em cuidar dos outros e me esquecer de ser cuidada.
Um breve comercial então...
Eu vou doar pra também receber. Caridade eu estou fazendo pra quem precisa. Não quero mais brincar dessa chatice de preocupação em vão. Parceria então, agora é objeto para colecionador.
Eu estou ouvindo uma cabeça que enfim voltou a funcionar e dormindo em paz outra vez. Todos o peso morto adquirido em anos está à um passo de ser liquidado.
A vida é sim o que a gente quer que ela seja. A Coisas acontecem somente quando damos aberturas á elas. Pessoas entram e saem de acordo com suas atitudes, sejam elas consciêntes, ou não!
Eu te quiz aqui. Por outro lado, sou eu também que decido até onde dou pé.
Minhas experiências de vida me transformaram nisso tudo que podes ver. E não foram poucas. Eu sempre tive a ânsia de ver mais de perto.
Completando, não vou esquecer nada, nem ninguém, mas mudar minhas prioridades vai ser o melhor remédio contra os dias cinzas. E a minha prioridade agora sou eu.
Vou seguir o que dizem e deixar livre. Vou seguir. Livre. Fazendo planos pra minha própria vida. Ou não. Vou simplesmente deixar que as coisas sigam seu curso natural. Livre. Que a vida continue. Que as incertezas passem. Que a paz reine. Que o amor renasça. Que possamos fazer escolhas certas e escolhas erradas. Que a tal liberdade sirva pra isso. Pra nos permitir viver errando, acertando, amando, descobrindo.Eu nunca quero ter certeza de tudo na vida. Acho que amar é isso. Saber dar sem garantias. Sem exigir nada em troca. Arriscar, acreditando que vai dar certo. Sem olhar pra trás e se arrepender porque deu errado ou porque não era bem assim que você planejou. Acho que amar é a incondicionalidade. Não impor condições. Não ter prazo de validade. Não sei nada sobre amar, mas desconfio que não tem nada a ver com certezas.

sábado, 7 de agosto de 2010

Deus?

Hoje de manhã, fui levar meus donativos no Gapa pra ajudar as crianças que adquiriram AIDS na gestação de suas mães, e que foram abandonadas. Nem precisa dizer que saí de lá em prantos e assim permaneci por ininterruptos trinta minutos. Tristeza e esperança. Uma mistura de tristeza com a pobreza do mundo e de esperança por ver que existem pessoas boas. Não consegui ficar lá por muito tempo. Senhoras de idade avançada chegavam com seus maridos levando comida. Varias pessoas chegando e saindo, cada um ajudando como podia. A maioria senhores de idade, classe média. Em seguida, fui almoçar no self-service onde almoço quase todos os sábados. Eu fui uma das últimas a entrar no restaurante que estava encerrando o horário de almoço. Do lado de fora, pude ver dois homens adultos e uma criança de uns oito anos de idade. Todos com vasilhas de plástico nas mãos, esperando o horário do restaurante fechar pra ganhar a comida do dia. Cenas como essa me cortam o coração.É muito fácil acreditar em Deus quando você dorme numa cama queen, anda de carro com ar-condicionado que você conseguiu comprar sozinha com vinte anos e mora num prédio com lavanderia cujo condomínio é maior que o salário de uma família inteira. É muito fácil rezar e agradecer a Deus por tudo que você tem quando você tem tudo que quer. Agora, tente explicar o que é Deus pra alguém que não tem o que comer. Pra quem nasceu comj uma doença porque seus pais não tiveram o mínimo de consciência, e para não arcar com isso, as abandonaram ao léu. Tente explicar como Deus é bom pro menino que nasceu na favela e viu a mãe morrer com um tiro na cabeça. Será que Deus gosta mais de mim do que das pessoas cujas casas foram levadas pela força das águas, por exemplo?? Será que Deus gosta menos daquele pai com a criança na porta do self-service segurando uma vasilha sem comida e esperando sua vez de comer? Será que Deus gosta mais dos filhos da Angelina Jolie do que dos filhos da mulher que dorme embaixo da marquise do meu prédio?Hoje de manhã, olhando praquela miséria toda, aquele amontoado de coisas e trapos jogados na sede do Gapa (colchões velhos, cobertores sujos, roupas usadas) que vão servir pra muita gente que não tem sequer um teto agora, cheguei a falar em voz baixa: Deus, cadê você? E então percebi que o inferno é aqui mesmo, na Terra. E enquanto milhares de boas almas se mobilizam para ajudar como podem, as pessoas agradecem a Deus a ajuda recebida. Chamamos de Deus as bênçãos que recebemos.Talvez Deus exista sim, mas não é o cara que fica escutando nossas orações repetidas em terços, novenas de 900 dias e que comparece à missa todo domingo pra ouvir nossos pedidos. Mais importante que rezar, ir à missa ou subir a escada da catedral do escambau de joelhos é sermos humanos. Tem muita gente que faz promessa pra arrumar namorado e em troca, fica um ano sem comer chocolate. O que ficar um ano sem chocolate vai ajudar o mundo? Isso é pra Deus ou pra cintura de quem fez a promessa? Enquanto cada um estiver voltado pro próprio umbigo, não há Deus que dê conta do mundo. Quando cada um fizer sua parte, ajudar como pode, pensar mais no outro, se doar mais, vamos olhar pro lado todo dia e saber exatamente onde Deus está. Em cada um de nós.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Notifiquem o destino que eu voltei pro jogo. Eu não deixei de acreditar, como era previsto...

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Saudades...

Os acontecimentos da minha vida nunca foram simples. Eu bem disse que queria ser Peter Pan.
Fazem quase seis meses que eu tenho certeza que o destino começou a me montar uma baita arapuca. E me pegou.
E sabes que eu me sinto absurdamente confortável nesses novos moldes??
Mudança de emprego, término de relacionamento, reaproximação de velhas amizades, novas amizades, novos rumos, velhos sonhos, novos sonhos...
Hoje eu me peguei pensando nessas mudanças repentinas, no fato de que talvez eu tenha desejado cada uma delas, mesmo que inconscientemente. Hoje eu me peguei rindo sozinha (tá tá isso é bem comum). Hoje eu me dei conta que, mesmo dando vez ao cansaço, não há qualquer motivo pra nao estar feliz.
Hoje eu me permiti não negar a atual realidade que todas essas mudanças proporcionaram, por mais que algumas delas tenham sido difíceis.
Hoje eu me peguei me permitindo sentir saudades de te ver, mesmo que de longe. Hoje eu senti saudades até dos momentos que ainda nem tive. Hoje eu senti saudades de me sentir perdida diante de tantas certezas desconexas, de tantas sensações e vontades. Hoje eu me dei conta do quão reais são as minhas certezas. Hoje eu queimei a língua por perceber que eu não engano nem a mim mesma quando digo que sei viver com os pézinhos no chão.
Hoje tem uma frase martelando na minha cabeça que eu li em algum lugar:
"Nunca ignore seu sexto sentido. Lá na frente - ainda que demore anos - você vai ver que ele estava certo."
E graças a Deus eu jamais ignoro o que ele me diz. E ainda bem que eu não ignoro aquilo que eu sinto. E agradeças tu também por eu agir assim.
Todas essas mudanças resultaram nisso que temos hoje. Nisso que estamos começando de alguma forma hoje.
A gente percebe a diferença na nossa história em relação a tudo que existe. A gente constroe juntos essa nossa estrutura de base forte. É respeito, é amizade, são ouvidos, confiança e antes de tudo esse carinho mútuo. Eu poderia ter deixado de acreditar. O mundo talvez tivesse tentado me fazer desistir das pessoas. E então "eu" te encontro, me epaixono, crio metas e sorrio a cada segundo em que lembro-me que te tenho na minha vida "de alguma forma". Tu que chegastes pra me trazer uma serenidade que eu não tenho, me trazer novas expectativas, e me trazer a certeza de que ainda existem pessoas maravilhosas por aí.
É o resultado de um coração agora completo e sossegado.
Certa vez eu duvidei de relacionamentos assim. Onde se agradece pelo encontro, e se aproveita cada momento junto, por não saber o que serão dos momentos seguintes, mas isso é secundário na escala de importância.
Melhor eu fechar minha boca da próxima vez. Fechar olhos, boca e te beijar para sentir mais uma vez o mesmo arrepio sentido da primeira vez. A tendência é essa! Permanece a magia e alcançamos a maturidade. Eu e tu, sendo os únicos a saberem bem tudo o que se passa aqui.

Saudades demais já...

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Chico já dizia...


"O que a gente não pode mesmo, nunca, de jeito nenhum...
É amar mais ou menos, sonhar mais ou menos,
Ser amigo mais ou menos, namorar mais ou menos,
Ter fé mais ou menos, e acreditar mais ou menos.
Senão a gente corre o risco de se tornar uma pessoa mais ou menos."

sábado, 24 de julho de 2010

Cáh By Sabrina



Cáh é por toda a parte. Todos os pontos cardeais. Os famosos Norte, Sul, Leste e Oeste. Os esquecidos Nordeste, Sudeste, Noroeste e Sudoeste.
Cáh é em todas as direções.
Conheço a Cáh há muito tempo, mas nunca da maneira que a conheço agora.
Cáh é antena, de tudo sabe, de tudo dá notícia.
Tem uma memória invejável e lembra de frases ditas há anos.
É clássica e ao mesmo tempo moderna. O begezinho em sua nova versão rock e tatuagem.
Queria ser independente virou advogada. Queria se renovar virou gloss.
Queria ser luz, e virou luz. Luz, reflexo, projeção...
Ao mesmo tempo foco, e um ponto de referência.
Ela e eu temos pontos em comum(Além de amarmos as palavras). Ambas extremamente sinceras, sonhadoras e com a crueldade adormecida.
Trocaríamos todas as dores do mundo pela compania uma da outra, e uma bebedeira culta. Ou por um bom show de rock ou sertanejo. Somos assim também, como água e vinho.
Ela esconde as tristezas e eu faço música com o sofrimento. Ela escreve as letras mais lindas. Eu traço a melodia.
Mas somos inseparáveis. A distância não conseguiu diminuir em nada nossa dependencia uma da outra.
E não mexam com ela. Ela é uma alternativa levemente radical aos demais tipos de moças que existem na sociedade. Tem aquele bom humor que desarma, e uma vontade gigante de engolir o mundo.
É a melhor parceira de viagem que qualquer pessoa pode ter. E viagem não apenas inter-minicipais, Inter-estaduais ou ao exterior. Viagens diárias. Parceira de vida. Pra vida.
Já briguei com ela uma vez aos 12 anos. Um Bis roubado é sempre um Bis roubado. Mas somos 100% adeptas do bom mocismo. Apesar de estarmos de saco cheio de tudo isso.
Estamos aprendendo a dizer não. Muito disso ela me ensinou. (Apesar de ela nunca ter me dito não).
Vive dizendo que eu sou impossível e tenho o coração mole. EU????
O que importa é que Cáh é www. É portal do conteúdo. Como o "outro" diria: uma mulher do futuro. Sem direito a bumbum eletrônico e neurônios plastificados (alguém confere?).
Tudo em sua mente está em constante movimento.
Cáh é alta velocidade de conexão.
Cheia de vontades, padrões e romantismos camuflados por ela mesma.
Quem conhece, logo se encanta.
Eu, mais do que ninguém, sei como eu gosto dela. E acho muito engraçado seu jeito de dizer que não está nem aí para alguma coisa ou alguém, achando que vai me convencer.
Na verdade, Cáh é uma das pessoas mais divertidas que eu conheço. É meu livro de auto-ajuda. Meu convite pra me lembrar quem eu sou. Sem meias palavras ou personagens.
Fiquei imaginando o que Cáh seria se não fosse Cátia (Adoro pensar essas coisas....)
Imaginei Cáh como cantora, aeromoça de vôo internacional, integrante de reality show...
Imaginei Cáh sendo cafona (...) Tentava focar mentalmente ela vestida naqueles shortinhos e camisolões com tucanos e araras, sentada numa cadeira de plástico velha, emoldurada por um pôster da seleção brasileira de 90, com Lazaroni em destaque.
Impossível imaginar tal cena...
Impossível imaginar Cáh sem ser Cátia.
Ela é o que é.
E mesmo que não fosse Cátia, continuaria sendo um arraso.
Mas para que inverter o perfeito? Subverter o que já é ideal?
Daí esse texto. Catita como ela é.
Essa Cáh múltipla, indesfigurável, íntegra.
Doce Ironia: Cátia é tantas, em tantas formas e lugares, com tantas idéias e talentos, tantas vontades, que ela é uma só.
Indivisível, isso por mais que a ciência evolua.
Duvido que alguém invente uma forma de fragmentar Cáh. (Embora alguns integrantes do sexo masculino já tenham se aventurado....)
Desmaterializá-la é impensável. Seja porque não produzirá efeito algum (algo como "aborted mission), ou porque cada partícula jamais encontrará seu lugar exato, seu equilíbrio, sua composição correta, seus paradoxos, idiossincrasias,contrastes, choques eltétricos de brilhos e contradições. Enfim, nunca se recomporá igual ao que era quando chegar do outro lado.
O que eu tentei dizer é que Cáhs não se fazem todos os dias. E é por isso que te admiro e te agradeço por ser minha amiga há mais de 15 anos. Nada teria tanta graça sem você. Minha bolsa de mão anda vazia de vida quando não te carrego ao meu lado. Que los Angeles fica mais fria, mais escura, toda vez que eu lembro que um pedaço meu ficou aí no Brasil. O que eu quis dizer com quase um mês de atraso (tu sabes bem dos motivos), é que no dia em que tu fazes aniversário quem agradece a Deus por ti, somos nós. Tú és um presente na vida de todos aqueles que tu tocas. Te agradeço todos os dias por ter aberto meus olhos quanto ás chances que eu estava deixando passar de fazer aquilo que mais me completa por medo. Te agradeço por me dar força todas as vezes que eu pensei em arrumar as malas e desistir. Te agradeço pelos brigadeiros, pelas bebedeiras, pelos conselhos, pelos textos, pelas letras que deram vida á minha música, te agradeço por todas as vezes em que me mostrasse o lado bom da vida.

O que eu te desejo, não tem preço. Se eu disser que te desejo o mundo ainda seria pouco. Então eu te desejo um infinito de possibilidades. Te desejo acima de tudo que nunca mudes. Nunca endureças. Nunca percas a fé no outro, na vida, no amor (...)


Eu tô aqui, e tu estais aí. Mas isso não muda nada. A gente sabe. A gente sente. A gente caminha acompanhada sempre do lado do coração que a outra carrega.


Te amo! Esse texto é dedicado á tudo que tu me representas.


Sabrina Saturi - Los Angeles 24/07/2010
(A foto vai te fazer chorar tenho certeza!)