quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

O amor...

Na minha cabecinha inocente, duas pessoas que se amam deveriam formar um casal apaixonado. Daqueles que a gente vê em filme. Com direito a corridinha na beira do mar de mãos dadas e tudo mais. Com beijo romântico no pôr-do-sol. Na minha imaginação adolescente, o amor nunca perde o viço. Era só isso que eu pedia pra mim. Flores, frases, vinhos, praias, corações, edredons. Mas quem mandou eu acreditar nos filmes, nos livros, nos textos, nas palavras, nas promessas?Não entendo de morar junto, não entendo de casamento, não entendo de uma vida a dois, muito menos de amor. Mas o amor não deve ser só receber sem se dar. Se fosse, estaria à venda. E não está. Porque o outro lado não precisa de dinheiro pra amar. Só precisa amar de volta com a mesma intensidade. E o amor precisa de intensidade. De intenção. O amor não é querer o fácil só porque lhe convém.Talvez seja por isso que certos tipos de homens apreciam prostitutas. Amor enlatado. Descartável. Pra viagem. Só na hora que convier. Sexo sem tpm. Vapt-vupt. Au revoir. Enquanto o dinheiro der. Sem dor de cabeça. Até que a próxima noite os separe. Na alegria, sem tristeza. Na saúde, com doença.Se o amor tem um preço, é este: amar vinte quatro horas por dia, sete dias por semana. Amar cem por cento. Amar por inteiro. Infinito. Sem data de validade ou prazo pra expirar. Dar sem garantias de receber nada em troca. Apostar todas as suas fichas. Ser todo. Se o amor tem um preço, um jeito, uma forma, uma fórmula. Se o amor tem jeito. Eu não sei. Eu não sou fácil, não me vendo, não aceito migalhas, não gosto de metades. Sou um império do bem e do mal. Sou erótica, sou neurótica. Sou boa, sou má. Sou biscoito de polvilho. Açúcar, sal, mousse de maracujá. Só não sou um brinquedinho. Que alguém joga no canto do quarto quando não quer mais brincar. Sou um pacote. Uma mala. Sou difícil de carregar.

2 comentários:

Alicinha disse...

Psé, cada vez mais se vê a procura de amores enlatados, amores somente cor-de-rosa, pela metade, só com a parte boa! Lendo teu texto, me lembrei de um outro q li certo dia, que se dizia que nunca se tomou tanto rivotril como hj, porque isso? Porque as pessoas não qrem sentir dor, preferem se anestesiar, se dopar, para não enfrentarem seus problemas. A prórpia mídia vende isso, é preciso ser feliz 24 horas por dia! Se teu relacionamento tem algo que lhe desagrada? Troca, vc não precisa estar passando por isso, a fila anda, a catraca gira, não é assim que se fala?
Isso me incomoda.
bjs

Renato Orlandi disse...

aaah, que texto boniiito, ficou poético rs! Eu chamo isso que vc disse de "amor sem photoshop", porque vamos falar a verdade rapidinho, só quem nunca amou pinta o amor daquela forma como aparece nos filmes ou poemas! Imagina só, um velho nerds como qualquer poeta q vc conhece amou quando escreveu os maiores sonetos que existem? Acho que não, ele sonhou em como seria o amor perfeito, mas amiga, não é assim, o amor é feio, o amor é constrangedor, tem que ter muita coragem e auto estima para acordar todo dia ao lado do bofe sem medo do cabelo e com bafo! Amei seu textoooo!

E mto obrigaaaaado pelo cariinho! Super te adoooro tb, mesmo conhecendo apenas pelas coisas que escreve!!! Bjao!